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A comunicação do saudável

  • Gabriella Poisl
  • 31 de jul. de 2017
  • 3 min de leitura

A alimentação está consagrada como uma das influências mais importantes na saúde das sociedades modernas. Mas as pessoas estão cada vez mais perdidas sobre o que devem comer. Discutir a qualidade da informação em saúde é urgente. Sobre este assunto, trazemos um artigo exclusivo da jornalista Letícia Pires, que estuda a gastronomia saudável e sua relação com a comunicação. Confira:

O modelo biomédico do século XVII, do homem como máquina, segue como parte do contexto que influencia o conceito de saúde hoje. A fragmentação do organismo repercute sobre a questão dos nutrientes – tão valorizados em detrimento do todo, que seria o alimento. Essa fragmentação dificulta a escolha do que comer.

Para o jornalista Michael Pollan, a ênfase em nutrientes reflete o modelo técnico-instrumental de comunicação e a representação da saúde numa lógica linear de causa e efeito, baseada em prescrições e nos relatos de avanços científicos e tecnológicos.

Inúmeros produtos são lançados a cada ano, contendo mais vitaminas, antioxidantes etc. Cada um compõe a nova dieta da moda. Mas não há dietas milagrosas ou que sejam benéficas a qualquer um.

O termo “natural” é sempre enfatizado. O saudável e o bem-estar também são recorrentes. No entanto, não há uma conceituação clara sobre o que é natural. Com isso, confunde-se alimento com produto alimentício.

Assim, vemos um conceito de saúde reduzido a um ideal de inexistência de patologias; a alimentação é tratada como um medicamento para prevenir/tratar doenças, e as pessoas passam a depender de especialistas para saber o que comer.

Segundo o pesquisador David Katz, presidente do American College of Lifestyle Medicine, o verdadeiro produto natural (in natura) e, especialmente, os vegetais é que impactam positivamente a saúde. O embasamento é a tradição, geração após geração confirmando o benefício de determinado hábito alimentar.

Na contramão disso, a imprensa oferece textos repletos de percentuais e informações “científicas”, que pretendem ser mais claros e objetivos, “simplificando” os conteúdos para os leigos, desfocando das tradições alimentares. Trabalhamos ainda dentro de um paradigma de transmissão/difusão da informação – predominante nos diversos meios. Mas a comunicação existe no diálogo, produto da interação ativa das pessoas. Há uma saturação de informações e falta de organização. Como coloca o filósofo Edgar Morin, a insuficiência de organização gera carência de conhecimento [pois o conhecimento é o resultado da organização da informação].

A qualidade da informação também é crucial. Os critérios do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) quanto à qualidade podem apoiar, especialmente no que diz respeito à citação das fontes e ao cuidado com os “formadores de opinião”. Somente a assinatura de um especialista não basta para garantir a exatidão do conteúdo.

Para que se alcance a verdadeira comunicação, é preciso rever a interatividade, aproveitando as melhores características de cada meio de comunicação, saindo da transmissão de informação para a colaboração. Num contexto de constante produção de sentidos, a saúde poderia ser entendida de um modo diferente, sem fórmulas prontas.

*Letícia Pires é Mestre em Comunicação Social pela PUCRS. Graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pela UFRGS. Tem experiência de 15 anos em Assessoria de Comunicação e Marketing, com foco em clientes das áreas ligadas à saúde. Atualmente, desenvolve estudos sobre a gastronomia saudável e o mercado de empreendimentos gastronômicos de Porto Alegre. A partir da próxima quinta-feira, 3 de agosto, ministrará o curso de extensão "A Comunicação da Gastronomia Saudável", na Unisinos Porto Alegre.

Mais informações sobre este curso em: Portal Unisinos

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